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Seis cidades fanáticas por café

Em muitas das cidades que mais consomem café no mundo, a bebida é objeto de toda uma cultura própria seja para tomá-la da maneira mais clássica, em um balcão de bar, ou para saboreá-la em uma confortável poltrona na companhia de amigos.

 

Retiradas das listas de “melhores” de publicações como a revista americana Travel + Leisure e o jornal USA Today, aqui estão seis cidades com uma coisa em comum: a paixão de seus moradores pelo grão tostado.

 

Taipei (Taiwan)

 

Os habitantes de Taipei são conhecidos por serem extremamente educados e simpáticos. Como a ilha já foi uma colônia japonesa, é comum que atendentes nas lojas recebam o cliente com um sorriso e uma reverência. E onde essa afabilidade mais transparece? Nos surpreendentes e incomparáveis cafés da cidade.

 

O Topo Café, no bairro de Tianmu, um canto mais ocidentalizado no norte de Taipei, é tão singular que é até cortado por um pequeno rio cheio de peixes dourados.

 

Allister Chang, um americano de Washington, morou em Taipei por um ano e documentou suas visitas aos cafés locais no blog Taipei Cafes. Para ele, os melhores endereços estão em torno da estação Zhongxiao Dunhua do metrô, no bairro de Da’an, ao sul da cidade.

 

“Aqui, os cafés gostam de ter um estilo próprio. O Homey’s, por exemplo, só é encontrado quando você sobe umas escadas de concreto não sinalizadas em um prédio insuspeito. Já o Barbie Café é exatamente como o nome sugere, todo rosa.”

 

A cultura do café também toma conta das vizinhanças da Universidade Nacional de Taiwan, em Da’an. Um dos lugares mais badalados é o The Puzzle Café, onde o cliente é convidado a montar quebra-cabeças enquanto desfruta de seu cappuccino.

 

“Esse movimento para criar cafés independentes em Taipei foi conduzido por essa geração mais jovem”, afirma Chang.

 

Melbourne (Austrália)

 

A segunda maior cidade da Austrália tem a fama de ser mais amigável do que Sydney ou Perth, e oferece uma enorme variedade de opções de lazer sem a energia exaustiva de outros grandes centros urbanos.

 

“Não saímos dizendo ‘bom dia’ a todo o mundo, mas não temos medo de olhar as pessoas nos olhos”, exemplifica Lou Pardi, colunista do jornal Melbourne Review.

 

A cidade é subdividida em áreas chamadas villages (“vilarejos”), cada uma com um perfil bem definido. “Fitzroy é tradicionalmente mais vanguarda e mais bagunçada, Richmond tem uma forte influência vietnamita e grega, Coburg é mais turca e libanesa e Brunswick é o coração hipster”, conta Mike Dundon, dono do Seven Seeds Coffee, no “village” de Carlton.

 

Independentemente do bairro, é fácil encontrar ótimos cafés. Pardi recomenda o Sonido, um café no estilo sul-americano em Fitzroy, que concentra os melhores baristas.

 

Já Collingwood, um dos bairros mais antigos de Melbourne, com muitos edifícios do século 19 ainda em uso, reúne profissionais das áreas criativas. O grande point do lugar hoje é o Collingwood Underground Theatre, um teatro montado em uma garagem subterrânea abandonada.

 

Havana (Cuba)

 

A capital cubana está vivendo uma revolução econômica, com a expansão de empresas privadas e um boom do turismo internacional. Seus habitantes são orgulhosos de sua nacionalidade e gostam de mostrar sua cultura a visitantes e expatriados.

 

A energia vibrante da cidade parece vir do “café cubano”, um expresso bem forte servido com açúcar e que acompanha praticamente todas as refeições.

 

“É muito fácil encontrar bom café em Havana. A maioria dos restaurantes e dos paladares [restaurantes particulares] sabem tirar um café perfeito”, diz Malia Evrette, sócia da empresa de turismo social Altruvistas, que divide seu tempo entre Cuba e a Califórnia.

 

Evrette dá uma dica preciosa a quem estiver hospedado em um hotel: muitos estabelecimentos têm um bar nos fundos que servem um ótimo expresso, bem melhor do que o café estilo americano servido junto com o café da manhã.

 

Habana Vieja, o centro histórico da capital, oferece praças que convidam a uma conversa e é também o lugar que mais concentra bares e discotecas, principalmente ao longo da Calle Obispo.

 

Viena (Áustria)

 

Café Schwarzenberg, em Viena Viena é famosa por seus cafés elegantes, onde a bebida é acompanhada por tortas irresistíveis.

 

Uma das menores capitais europeias, Viena oferece o melhor dos dois mundos: a vida cultural de uma grande metrópole e a tranquilidade de uma cidade pequena.

 

Os habitantes são normalmente reservados mas tratam bem os turistas e gostam de ouvir a opinião dos estrangeiros sobre a cidade.

 

Os cafés locais são o lugar ideal para essas conversas. “Os vienenses valorizam muito o frescor proporcionado por um encontro com visitantes”, afirma Eugene Quinn, britânico radicado na Áustria, que organiza mensalmente um clube de discussões em inglês chamado Vienna Coffeehouse Conversations.

 

Os elegantes cafés da cidade, como o Café Central, o Landtmann, o Griensteindl e o Demel, são bastante procurados por turistas. Mas os locais preferem se reunir em estabelecimentos menos conhecidos, como o Café Frauenhuber, o Braunerhof e o Sperholf.

 

“Pelo menos metade dos clientes desses lugares é de frequentadores assíduos”, diz Christina Pritz, que mora perto do Augarten Park.

 

Tanto Pritz como Quinn recomendam o Café Phil, no 6º Distrito. Forrado de livros que podem ser emprestados, o lugar também abriga concertos de música clássica ou DJs à noite.

 

Ambos também elogiam o Café Hawelka, no 1º Distrito, onde o espaço pequeno obriga estranhos a se sentarem juntos, o que invariavelmente leva a uma boa conversa.

 

Seattle (Estados Unidos)

 

Cliente em um café de Seattle Moradores de Seattle usam os cafés para estudar, trabalhar ou simplesmente ver gente.

 

Nenhuma lista de cidades apaixonadas por café estaria completa sem o lugar que deu origem à maior rede de cafeterias do mundo, a Starbucks. Mas apesar de Seattle ser conhecida mundialmente por isso, muitos moradores preferem estabelecimentos independentes que valorizam a produção artística local.

 

Boa parte da vida social da cidade revolve em torno desses inúmeros cafés. “É onde você vai em um primeiro encontro, onde faz reuniões, onde começa e termina seu dia, onde vai estudar ou simplesmente ver gente”, conta Dayl Eccles, moradora do University District.

 

É no bairro que está seu café favorito, o Allegro, o primeiro a servir um expresso na cidade, em 1975.

 

Praticamente todos os bairros de Seattle têm várias opções para quem não pode passar sem um café. Mas os moradores tendem a ser leais com suas respectivas vizinhanças e quase não mudam quando encontram sua turma.

 

Quem visita a cidade pode escolher entre o divertido bairro de Fremont, o descolado distrito de Ballard e a clássica área de Queen Anne, com suas casas de 1850.

 

Roma (Itália)

 

Muitas das palavras associadas à cultura do café, como espresso, cappuccino e barista são italianas, então não é de se estranhar que a capital do país transborde de fãs da bebida.

 

Mesmo que os moradores pareçam sempre apressados, muitos encontram tempo para se dedicar ao seu ritual de café matinal.

 

“Em Roma não existe café para viagem”, diz Elizabeth Minchilli, autora de um blog sobre sua experiência de 25 anos na capital italiana.

 

“Mesmo se for para tomar um café no balcão, os romanos param e saboreiam o que têm à sua frente, sempre aproveitando para puxar conversa com os amigos, o barista ou com quem estiver por perto.”

 

Uma das áreas da cidade mais convidativas a essa pausa é o centro histórico. Os moradores mais elegantes se reúnem na Piazza San Lorenzo in Lucina, perto do Parlamento, enquanto os cidadãos mais descontraídos lotam os cafés da Piazza Madonna dei Monti.

 

Qualquer que seja o local escolhido, os italianos têm um código não estabelecido para o que bebem: o cappuccino é para as manhãs e o expresso, para depois da refeição.

 

À noite, a versão mais pedida é o caffè corretto, um expresso servido com um pouco de grappa ou de conhaque a maneira perfeita de encerrar o dia ou de começar a balada.

 

Fonte: BBC Brasil



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